Santo Antônio da Patrulha, Santo Antônio do PARADÃO ou Santo Antônio da Patrulha PARADÃO?

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17 de setembro de 2012 por Samuel Santos


Com minhas tentativas, de certa forma, frustradas de provocar o debate de propostas para o município, principalmente para o meio rural, havia decidido não me pronunciar, tão pouco entrar em debates infundados no que se refere ao pleito eleitoral deste ano. Havia compreendido que por falta de uma terceira opção de voto ficaria difícil ter-se noção e propostas de sociedade condizentes com a realidade e com as necessidades locais. Minha decisão, correta ou não, seria, e continuará sendo, esperar os desfechos e contribuir com quem porventura venha a vencer o pleito e estar à frente do nosso município. Política “de cima do muro”? Talvez. Ocorre que os níveis de propostas são muito similares e, a meu ver, pouco claras num universo que para muitos é “polarizado” mas que não se diferencia na essência o projeto de sociedade que ambos almejam. No entanto, meu silêncio foi quebrado e minha indignação extrapolou em mais uma vez constatar a incapacidade e a falta de senso daqueles que são ou que cercam os concorrentes. Digo isso, pois estamos a pouco menos de um mês das eleições municipais e a política local está pautada nas PARADAS. Seriam as paradas famosas no nosso país? Pensar que as PARADAS gays pudessem ser pautadas aqui no nosso tradicional e conservador município seria pedir demais? Homofóbicos? Devem desconhecer, no máximo devem ignorar esta pauta? Isso feriria a moral e os bons costumes da família patrulhense. Isso é “coisa” de cidade grande?
Seria muito imaginar que as PARADAS religiosas, com temas relacionados, principalmente, a saúde estariam nas propostas? Aborto, combate as drogas, AIDS e outras pautas. Aqui isso não é problema?
Pedir que a pauta das mulheres que não ficam PARADAS, mas marcham (Marcha das Margaridas- agosto/2011- Brasília) esteja, mesmo que sucintamente, nas discussões seria um pedido além da capacidade machista do nosso município? Imaginem isso nem se cogita, pois na nossa terrinha, famosa pelos valentões, que enchem a cara com a nossa, nem tão mais tradicional assim, azulzinha espancam suas esposas, filhos… A mídia local noticia quase que semanalmente novos casos de Maria da Penha. Mas isso parece não ser problema.
Ninguém questiona sobre propostas que tratem a “PARADA” do crescimento econômico? Seria lógico argumentar que a crise é internacional? Esperar o Governo Federal ou Estadual? Por que não se tem propostas claras para nosso município de geração de trabalho e renda? O que gera-se com este debate simplório, redundante e por que não dizer sem propósito e desastroso, é a antipatia de uns, o deboche de outros tantos e assim, o pior de todos os sentimentos propaga-se em meio à população patrulhense: sentimento de que estaremos por mais 4 anos PARADOS, pois até então a pauta é só PARADÃO.
Estamos numa deprimente queda de braços de fanáticos, me desculpem o trocadilho, como as vésperas de um Grenal: o importante é vencer o jogo. Se o gol foi de mão, de bola PARADA, se houve erro do juiz, se o gol teve impedimento não assinalado, se teve fratura, se houve briga fútil de torcidas… Quem se importa? Alguém se importa em vencer o campeonato, no caso Santo Antônio da Patrulha? O importante é ganhar o Grenal, o jogo, mesmo que rebaixamento seja o preço a pagar-se. Quem paga? No caso em questão os patrulhenses. Fanatismo é bom e salutar desde que seja racional.
Ora, falamos em turismo, esqueceram-se da Copa do mundo de 2014? Investimos em um centro de informações que deve informar o que? Onde fica a PARADA mais próxima ou o roteiro dos PARADÕES. Informam onde ficam os “Santo Antonios PARADOS”: “no parque, na escadaria, nos caminhos de fé”. Caminhos que os cidadãos desprovidos de fé depredam. Como ter fé e acreditar nos contos das PARADAS ou como fortificar a fé ouvindo “lorotas”? Não seria melhor iniciar a política do turismo do começo? Estudei na Universidade Pública e graças era Aberta e movimentou-se para nossa cidade. Mérito de quem fez o movimento para trazê-la até nós. Perfeitamente compreensível tal ênfase a esta conquista em tamanho outdoor. Enaltecer sim, mas brincar com a inteligência não: “Universidade Pública Gratuita”? Redundância? Quem paga esta gratuidade? Em contra partida diminuem-se e se dá menos ênfase a outras informações. Quero crer que pelo fato de sermos referencia regional no tratamento oftalmológico ser o motivo do tamanho das placas indicativas instaladas na cidade.
Agricultores sem comércio para seus produtos e consumidores patrulhenses indo até Osório comprar, gerando trabalho e renda para os osorienses, na feira da agricultura daquele município. Já ouvi que este problema está relacionado à falta de empreendedorismo dos nossos agricultores. Mas calma, se uma feira de produtos locais não da certo por falta de empreendedorismo a nossa tradição em pescado salvará as águas PARADAS de SAP. Santo pescado seja multiplicado, pois o São fileteamento filho Fome Zero tem que dar resultado.
Mas existe solução à vista segundo os que agora, só agora, dizem faltar apoio a agricultura. Solução encontrada: monocultura do eucalipto. Com a população do campo diminuindo corre-se o risco da falta de alimento, assim ao invés de patrulhenses, Santo Antonio será habitado por coalas. Infeliz proposta acompanhada de expressão sem graça, fora de contexto e de péssimo gosto: “enquanto o agricultor dorme o pau cresce”. Piada? É sério, ouvir isso é triste e preocupante.
Mas a “magna” idéia de trazer desenvolvimento bate de frente com os entraves coronelistas de ditar os passos do progresso, claro, só a parte do passo que interessa. Trabalhador com salários melhores são mais capazes. Capazes de estudar, dar estudo aos filhos, viajar, conhecer outras realidades, terem outros horizontes, até se tornarem empreendedores. E quem vai ser mão de obra barata pra sustentar o status daqueles que articulam e trabalham para a discussão política ficar em torno do PARADÂO?
PARADAS prá lá e PARADAS pra cá me fazem lembrar das eleições passadas. Quem sabe teremos, como em uma eleição do passado, um candidato chamado de PARADA. O jingle que com certeza seria criado seria o “tchã” para o momento. Tenho certeza que de melhor gosto do que aquelas enrolações, tanto de A como de B ou vice versa. Sem menosprezar o problema dos “PARADÕES”, pois é sim um tema a ser solucionado já que suas implicações são sentidas no cotidiano da maioria dos patrulhenses, o assustador é ver o debate girar em torno desta pauta, que já diz tudo por si só: PARADÃO. Quem acredita na política, assim como eu, gostaria de ver os militantes dos partidos se movimentando, agitando suas bandeiras, gastando o tempo e as ferramentas que a eles estão dispostas, com propostas salutares, de fundamento que dessem um norte para resolução das problemáticas, mesmo que estas sejam simplesmente construir um PARADÃO. De tudo isso, impressiona negativamente ver que todos se atacam, se xingam, mas pasmem, não é pela melhor proposta. Os ataques pessoais são prato cheio em um debate que não irá levar o município a lugar algum. Talvez o desejo se traduza nas suas pautas: querem ver um município PARADÃO. E nós que iremos votar no dia 07 de outubro o que queremos: Santo Antônio da Patrulha, Santo Antônio do PARADÃO ou Santo Antônio da Patrulha PARADÃO?

José Samuel da Silva Santos, Educador popular com formação em Desenvolvimento Rural pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Diretor do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santo Antonio da Patrulha.

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2 pensamentos sobre “Santo Antônio da Patrulha, Santo Antônio do PARADÃO ou Santo Antônio da Patrulha PARADÃO?

  1. Lindomar Arceno Cardoso disse:

    Muito interessante o texto, vejo nele uma boa proposta de reflexão de vários temas importantes, a agricultura familiar que não consegue colocar seu produto na Merenda Escolar, mas não consegue por quê? Creio que não consegue porque não produz o suficiente e onde está o incentivo para que produza? Em vez de uma Amarok para a educação ambiental, não seria mais urgente um furgão para o transporte da produção de quem não tem como entregar a cenoura e a alface? Não que a educação ambiental não seja importante, certamente é, quero apenas refletir a urgência da prioridade. Quanto ao “paradão” me pergunto, e talvez o Samuel saiba a resposta, qual a política voltada para o transporte coletivo de qualidade que possa compensar a distância da rodoviária, eu moro longe e em uma rua que o transporte coletivo é muito escasso o que torna o acesso complicado, não por ser na Cidade Alta ou nas Pitangueiras, mas por não ter opção de como chegar. As questões de turismo penso que são ainda mais complicadas, se eu pedir uma pizza pela telentrega o moto boy não encontra o endereço, e não é porque minha casa está afastada é porque não tem indicação nenhuma, se o entregador não encontra os endereços, como o turista vai se movimentar pela cidade! Quanto às placas colocadas tenho que concordar, são quase invisíveis. Mas não quero usar o espaço para criticar o que está sendo feito, pois entendo que seja louvável, quero apenas manifestar a opinião de que devemos, não só cobrar, mas principalmente tentar entender o momento e buscar conhecer as propostas que realmente venham melhorar a vida da população patrulhense, seja ela rural ou urbana.

    • Samuel Santos disse:

      Obrigado Lindomar! A ideia desta iniciativa é justamente , de forma critica, proporcionar o acesso as informações onde a manifestação popular é importante e ajudará na construção deste espaço. Se gostou desta iniciativa repasse aos seus contatos nosso endereço.
      Abraço e contamos sempre com tuas contribuições.

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