Mudanças no Conselho Municipal de Educação viabilizam a participação popular

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19 de setembro de 2012 por Samuel Santos


Mudanças no Conselho Municipal de Educação viabilizam a participação popular

Ontem, 18 de setembro, tomaram posse os novos integrantes do Conselho Municipal de Educação. O conselho teve sua representatividade ampliada de 9 para 13 conselheiros que representam  a sociedade patrulhense. Dentro deste processo tive a oportunidade de vir a integrar tal espaço democrático e participativo, representando a sociedade civil, pelos próximos 6 anos.

Em tempos de desmobilização da sociedade nos espaços que são proporcionados a população exercer a sua cidadania, exemplo é a banalização do processo eleitoral, me propus a mais este desafio, mesmo não tendo formação idealizada por muitos para compor tal coletivo.

Ao aceitar esta proposta levei em consideração minha história de militância nos movimentos sociais principalmente os ligados as questões relacionadas ao meio rural. Mas sem dúvida a principal motivação foram fatos ocorridos no meu processo de formação tendo nos ambientes escolares os elementos fundamentais.

Filho de professora, alfabetizado numa escola do meio rural, meu contato com a escola “urbana”, na década de 90, no século passado, deveria ser um processo de inclusão, acabou tornando-se motivação para que eu renegasse por muitos anos minha identidade, minhas origens e até mesmo rejeitar meu próprio nome. Culpar professores que estavam no processo de formação dos estudantes que nos recepcionaram no primeiro dia aula com adjetivos pejorativos do tipo: “colonos, grossos, das grotas”? Não. Excluir colegas da época do meu circulo de amizades por me “induzirem” a renegar o saboroso “sequilho” que minha mãe os colocava na minha mochila  como lanche? Também não. Naturalizar as motivações e causas de ter preferido o salgadinho e a bolachinha recheada disponíveis no barzinho e não o pão com chimier da minha mãe? Muito menos. Aceitar que o termo “colono” no sentido pejorativo seja profanado sem que se conheça e valorize a importância desta classe na sociedade? Nunca.

Não guardo magoas, pois foi através da própria educação, na Universidade Aberta do Brasil, que considerou as diferenças e compreendeu as dificuldades dos que não tinham acesso a ensino superior publico de qualidade, pude entender os processos educacionais e os projetos de sociedade que os diferenciam.

Tive de compreender  que o processo de educação necessita fazer com que as diferenças sejam respeitadas e consideradas. Pude compreender que por maior e melhor que sejam as intenções tudo pode se refletir na educação: Exemplo disso é a “clássica” obra do famoso escritor Monteiro Lobato, o Jéca Tatu. Talvez para época alguns dos traços descritos por ele em sua obra retratasse de fato a agricultura, o meio rural, mas que de forma alguma não contribuiu para a construção do conhecimento. Tanto é que anos depois descobriu-se que “lombriguentos” eram moradores dos centros urbanos.

Pude compreender as origens da palavra educar originária do latim das palavras “educaree “educere”: Educare tem como primeiro significado orientar, nutrir, decidir num sentido externo, levando de um ponto onde ele se encontra para outro que se deseja alcançar. Educere se refere a promover o surgimento de dentro para fora das potencialidades que o individuo possui, ou seja,  “conduzir o individuou para fora preparando para o mundo. Qual forma devemos nos orientar para elaboramos as ferramentas pedagógicas?

Talvez agora eu entenda o que o educacionista, Senador da Republica, Cristóvam Buarque, afirma ao relatar que a educação ideal deve instigar nas pessoas: utopia, indignação, ideologia, revolução e transformação.

É, realmente sou utópico, acredito com uma sociedade igualitária onde todos possam ter as mesmas condições tendo a educação como um instrumento que proporcione  novamente as pessoas a sonharem. Sou indignado, pois não compactuo com as injustiças, desmandos e desigualdades.  Quando muitos pregam, de forma intencional, que não existe mais ideologia e outros, por desconhecimento, reproduzem esta falsa afirmação, me coloco como um ideológico, pois através da educação pude compreender e diferenciar os dois projetos de sociedade que estão em disputa. Tenho certeza que o projeto de sociedade que defendo considera as pessoas, respeita as diferenças, considera os saberes de todos.  Por ser utópico, indignado, e ideológico acredito piamente que só através da educação poderemos fazer uma revolução onde os rifles sejam trocados pelos livros, os soldados sejam os professores, que as táticas sejam para conquistar a difusão do conhecimento e a disputa seja por um futuro mais justo, igualitário e solidário.

Já evoluímos e tenho certeza que o Conselho Municipal de Educação teve papel central na condução e nas proposições que fizeram com a nossa educação evoluísse. Mas precisamos de mais, muito mais. Precisamos que a sociedade compreenda que educação não é feita só entre as paredes das escolas. É necessário compreender que todos temos conhecimentos: precisamos aprender e temos o que ensinar. O conhecimento se dá de forma coletiva como diria Paulo Freire: “Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo.”

Por tudo isso aceitei fazer parte deste grupo de cidadãos que sonham em transformar a sociedade e vêem na educação a principal ferramenta, pois só através do conhecimento “poderemos encharcar de sentidos nossos atos cotidianos,”Paulo Freire.

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