Idosos ou velhos?

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1 de outubro de 2012 por Edê


Quando chamamos uma pessoa idosa de velha, temos a grande possibilidade de sermos vistos com maus olhos. Em tempos de consumismo elevado, nos parece que o que é velho, já não presta, não serve mais, deve ser substituído.

Gostaria de recordar neste espaço, que pessoas não são coisas ou objetos, que perdem o seu valor com o tempo. Talvez, dentro do mercado de trabalho e consumo essa lógica possa ter algum sentido. Se não tivesse, as mercadorias, em sua grande maioria, não teriam impressas em seus rótulos o prazo de validade.

Se fosse fazer uma busca pela internet sobre qual a diferença de velho para idoso, teria muitas respostas que afirmariam meu primeiro parágrafo: ser velho não é bom! Obviamente que dentro desse modelo de sociedade, essa lógica está certa. A mídia consumista talvez seja a grande responsável por essa criação de eufemismos. Criar nomes mais “bonitinhos”para as coisas e situações consideradas “embaraçosas”, (para não dizer reais).

A ordem natural da vida parece ter sido esquecida. Embora se invista cada vez mais em qualidade de vida e o governo procure garantir os direitos das pessoas, através da criação de leis e estatutos (como neste caso, o Estatuto do Idoso, Lei no 10.741, DE 1º DE OUTUBRO DE 2003.), cada vez mais aumenta o número de cirurgias plásticas, a oferta de cremes anti rugas (ou anti sinais), ou seja, é possível ser velho, mas não se pode parecer velho!

No Brasil, com o aumento da média de vida, o mercado passou a ver nossos “idosos” não só como um farto a ser carregado pelas suas famílias, mas como público consumidor em potencial. A cada dia surgem mais linhas de créditos para aposentados, as agências de viagem especializam-se no atendimento de “grupos de melhor idade”, além, é claro, do grande crescimento das casas geriátricas e asilos.

Nada contra passeios, festas, atividades em grupos, lugares para cuidar da saúde. A vida deve ser aproveitada da melhor forma possível, respeitando a individualidade de cada um. Em outras sociedades, as orientais principalmente, o respeito pelas pessoas mais velhas é muito maior. Valorizam muito a experiência e a sabedoria, sem se preocupar com os suas rugas, marcas ou “sinais dos tempos”.

Esperamos que um dia, nossa sociedade se desenvolva e cresça realmente em respeito e solidariedade. Que a velhice seja aceita com a dignidade que ela merece. Que esta fase tão especial e digna, seja vista como parte da vida e não como um produto de mercado.

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