“Lavagem de votos” no meio Rural define eleição em Santo Antônio da Patrulha

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10 de outubro de 2012 por Samuel Santos


Votação expressiva de Paulo Bier no interior define eleições.
Montagem: Edson Montticeli

Esta semana será  de análises dos resultados. Por alguns dias as avaliações dos motivos, dos culpados, mocinhos e bandidos, dos derrotados e vitoriosos nas urnas vai predominar nas rodas de conversa.

Vou ousar aqui fazer uma análise crítica e imparcial como as demais que já havia feito anteriormente. São vários os fatores a ressaltar, mas vou usar os que mais foram latentes.

Neste pleito o que chamou a atenção foram os votos que ajudaram a definir a eleição a majoritária. Os votos do meio rural. Durante a apuração, apenas com as seções da cidade, houve um equilíbrio muito grande entre os dois candidatos. À medida que chegavam as urnas do interior do município este equilíbrio deu lugar a uma “lavagem de votos”, expressão usada pelo candidato Zezo  em entrevista a Rádio Itapuí ao justificar  e reconhecer a vitória de Paulo Bier.

Esta “lavagem de votos” no interior entendo não ser mera coincidência. Em textos anteriores procurei chamar a atenção para os problemas enfrentados pelos moradores do meio rural patrulhense. Falei do Slogan de reconhecimento do município do qual retrata as principais culturas do município (“Terra do sonho, cachaça, rapadura e arroz”: Slogan do passado?). Disse que não ia bem e o fato é que não vai. A Cooperativa dos Derivados da Cana de Açúcar e seu centro de beneficiamento estão inativos, a um passo do fechamento. O Fileteamento de peixes é um “elefante branco” criado e que terá dificuldades e provavelmente não irá desenvolver,  pois não é tradição e tão pouco existe produção para atender  tal empreendimento.

Temos uma secretaria de agricultura que não possui nenhum técnico da área e grande parte dos secretários que passaram pela pasta, inclusive o atual, não tem vinculo com a área. Na alimentação escolar, que prevê a compra de no mínimo 30% de produtos vindos da agricultura familiar,  a Secretaria Municipal de Agricultura não tem participação, havendo grande dificuldade de se consolidar esta política pública. Não temos uma feira do agricultor onde seria uma “válvula de escape” importante para o s agricultores comercializarem seus produtos e também os patrulhenses terem a opção de consumirem produtos de qualidade.

Nas minhas crônicas relatei sobre as condições de saneamento básico e as condições preocupantes da água consumida pelos moradores do meio rural (“Falta conteúdo ou sobra desconhecimento?”). Alertei sobre a sustentabilidade das lavouras de arroz que consomem grande quantidade de água e também de agrotóxicos. Não dá para rotular  a atual administração como quem virou as costas para o meio rural. Algumas ações foram realizadas não podemos negar. Mas as urnas responderam de forma a acreditarmos não terem sido suficientes.

Propostas de ambos os lados foram elencadas, mas a população, principalmente a rural, optou por mudanças na condução. Sem menosprezar o peso do “PARADÃO”, onde a maioria dos usuários do sistema de transporte municipal é do meio rural.

Nas análises que fiz antes das eleições alguns disseram que “estava partindo do nada pra lugar nenhum”. Talvez não tenha sido suficientemente claro na minha imparcialidade e desejo de provocar o debate com propostas para sanar as problemáticas.  Talvez tenha sido um acaso a “lavagem de votos” citada por um dos concorrentes que representava a situação. Talvez o desejo dos habitantes do meio rural, traduzido nas urnas, tenha sido apenas coincidência.

O fato é que as pessoas do meio rural necessitam de muito mais do que estradas para se locomoverem. Esta demanda,  embora importante,  não é tida como prioridade e não convence mais os eleitores. Se fosse assim, a chapa da situação teria êxitos,  pois os novos Edis, Deco (PMDB) e Jorginho (PTB) (resultado das eleições aqui), responsáveis por esta pasta na atual administração foram eleitos com tamanha expressão de votos e seria uma tendência a se considerar.

De forma superficial as linhas de governo não mudarão. São muito similares. Talvez o que influa diretamente na condução municipal é a mudança conjuntural do país. Não dá para menosprezar conjuntura nacional e a relação desta no resultado da eleição aqui. Isso justifica o esforço anterior do PP e PTB na busca da coligação com o PT. Embora muitos neguem e relutem contra,  na atualidade, o  Partido dos Trabalhadores possui uma grande importância na futura condução do desenvolvimento municipal.

Orçamento participativo pode ser implementado pela nova administração.

É muito cedo para fazermos prognósticos mais aprofundados, mas de novo hoje, é o  que se ouve nos bastidores: a pressão do PT para implementar no município o Orçamento Participativo. Um modelo, novo ao menos para Santo Antônio da Patrulha,  de gestão e tomada de decisão sobre as prioridades e aplicação de recursos públicos municipais. Digo com tranqüilidade que se aceito e posto em prática pela futura administração seria um avanço sem precedentes. No entanto, penso que  irá existir muita resistência na aceitação desta proposta pela complexa articulação que exigirá com a sociedade (complexa mais possível). Outro fator que emperrará a aplicação deste modelo será a possibilidade da ascensão política do Partido dos Trabalhadores aqui no município, podendo vir a ser ameaça para os que já miram as eleições de 2016. Sei que pode parecer precipitada esta afirmação, mas na política tudo é possível.

Resta aguardarmos como se desdobrará  a futura administração. Promessa de cargos técnicos para determinadas áreas que hoje são políticas, rumores de orçamento participativo, maior diálogo com as entidades, etc.

O certo é que a vontade de mudança prevaleceu e o déficit com o meio rural foi determinante no futuro do município pelos próximos quatro anos. A dúvida que fica é de como será a linha de governo para o meio rural?

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6 pensamentos sobre ““Lavagem de votos” no meio Rural define eleição em Santo Antônio da Patrulha

  1. Shirlei disse:

    Nem tudo está claro,vamos batalhar para clarear.Prova de que não somos idiotas.

    • Samuel Santos disse:

      Olá Shirlei! Obrigado pela participação! Poderias esclarecer mais quando tu falas em “batalhar para clarear”?
      Continue participando e contribuindo com o Blog Manifesto Rapadura!
      Abraço

      • Marina disse:

        Muito boas as tuas considerações

      • Samuel Santos disse:

        Obrigado Marina! Continue nos acompanhando e trazendo suas considerações para o nosso Manifesto.
        Abraço

      • Ubirajara Huffel disse:

        Organizar um orçamento participativo, é só dividir por regiões e delegar um líder comunitário em cada região, instruindo e instigando às pessoas a participarem da política orçamentária, sugestionando as necessidades básicas de sua região, àquela que comparecer com maior nº de representantes nas reuniões, são às primeiras a serem atendidas…

      • Samuel Santos disse:

        Obrigado pela participação Ubirajara! Tens toda razão! Mas aqui em Santo Antônio da Patrulha, tu achas que a “conjuntura histórico-politica” permitiria a implementação do orçamento participativo?
        Abraço e continue nos acompanhado!

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